terça-feira, 24 de junho de 2008

"Vamos estar falando" de projetos

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Essa é a primeira vez que eu faço um post ao vivo, se é que posso chamar assim. Enquanto assisto uma aula no MBA, resolvi fazer alguns comentários sobre comportamento humano - daí você pode perguntar, mas o que diabos isso tem a ver com propaganda? Eu respondo, tudo! Encare o exercício de analisar tendências como uma possível maneira de assumir um bom cargo dentro de alguma agência de propaganda antenada (existem pelo menos umas 150 por aí).

Tente fazer o seguinte: olhe para uma pessoa (prefiro chamar de "perfil") e tente descobrir qual é a profissão dela. Acredite, não é difícil. Repare as roupas, o estilo, os gestos e vai imaginando o que aquela criatura faz da vida em pleno século XXI e internet banda larga beirando os 30MB. Já até escolhi o melhor lugar pra fazer isso: o avião, mais especificamente enquanto espero o embarque de todos, e de preferência, sentado na primeira poltrona.

Aqui onde estou, na Faculdade Gama Filho, já devo ter catalogo pelo menos 80% da sala. Tem um maluco que posso quase jurar que guia uma daquelas motos estilo chopper - já até pensei em perguntar o que faz ele numa aula de Gerenciamento de Projetos - tenho a singela impressão que ele não tem a mínima noção de onde está.

Uma outra senhorita por exemplo, confiaria meu dedo mindinho que trata-se de uma farmacêutica. Ela não tem muitos motivos para tal afirmação, mas eu já consegui compor um cenário imaginário com ela na dura rotina do ofício. E claro, tem os inevitáveis bad boys, que por sinal não é nada difícil imaginar o que fazem o dia inteiro.

Estou desenvolvendo esse raciocínio por uma simples questão: como criar uma linguagem de anúncio publicitário que atenda tantos estilos diferentes dentro de um grupo que teoricamente busca a mesma coisa. Daí você extrapola isso para um universo bem maior e começa a imaginar como é (ou deveria ser) complicadíssimo assegurar que uma linha criativa de anúncio falará claramente com esses distintos receptores em potencial.

Cada dia que passa, cada campanha que vejo, tenho mais certeza que os formatos de agência de propaganda irão inevitavelmente morrer. Esse negócio de departamento de atendimento, departamento de criação, departamento de mídia, departamento de planejamento, departamento de gestão de departamentos, etc, etc, etc... Tenho certeza que esse padrão não suportará mais elaborar comunicações eficientes a tribos cada vez mais fragmentadas e o principal: exigente.

Tudo bem que pode transparecer muito óbvio falar isso, mas direcionar a comunicação com soluções práticas e inteligentes (de verdade) é o único horizonte que começa a escancarar-se a nossa frente. Agências, ou consultorias, como queira chamar (até porque já deve ter um novo termo pra isso que não precisa ser falado aqui) devem ficar menores, ainda mais confiáveis e claramente especializadas em poucos e distintos segmentos - obviamente, também ficarão mais lucrativas.

É uma profecia, que pode ou não confirmar-se dependendo de algumas centenas de bilhões de variáveis. Mas não deixa de ser uma boa forma de pensar estrategicamente pautando em fontes extremamente confiáveis.

Quanto a aula que citei no começo do texto, peguei uma ou outra novidade enquanto escrevia, mas continuo com o terrível vício de não dar muito crédito aos professores que começam suas aulas com um canoro gerundismo.

domingo, 22 de junho de 2008

Propagandas que embalaram minha infância: Tortuguita

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O 2º momento nostálgico dessa série é fruto do comentário do meu amigo Leandro Magalhães. Quem não se lembra do famoso diálogo entre duas tartaruguinhas de chocolate que acaba com uma cabeça de chocolate "decepada" e a expressão: Estúpida!

Lembro bem que esse comercial consquistou principalmente as crianças, que pediam aos pais o chocolate em forma de tartaruga para poder abocanhar a cabeça de chocolate das tais "estúpidas".

Recentemente, a Arcor trabalhou uma campanha que relembrou esse comercial de sucesso. Num filme de 15”, criado pela agência Ghirotti & Cia, foi apresentado ao público o novo sabor da linha: chocolate ao leite com recheio de baunilha com cookies. Segundo o Gerente de Marketing da marca, Gabriel Porciani, a comunicação de Tortuguita é toda baseada na ligação do chocolate a esse mundo divertido das crianças.

Na época que o vídeo original foi ao ar, o sucesso foi tanto que vieram suas inevitáveis continuações, mas preferi não postar tudo o que saiu, até porque, somente esse filme a seguir foi o que mais me marcou. Ah sim, e quem não se lembra do slogan? "Para você comer devagar e sempre". Quem assina mais esse clássico é a F/Nazca.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Campanha anti-tabagismo

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Se tem um assunto que da o que falar nesse blog é o tal do tabagismo, ou melhor, campanhas anti-tabagismo. Já recebi e-mail mandando eu enfiar o blog e minha opinião sobre esse assunto naquele lugar. Mas mantenho minha posição, de repudiar esse vício babaca e irresponsável. Para ser bem sincero, adoro quando uma campanha bem colocada lembra como o corpo humano é frágil e o cigarro, uma arma letal.

Por isso, vejo que a campanha a seguir, apesar de visualmente "bonita", não tem o impacto das imagens que ilustram as carteiras de cigarros. Entendo que a coisa tem que ser feia mesmo, senão o cara que entra no restaurante e acende um trago, continua pensando que está bem, quando na verdade, está matando seu corpo (desculpem o clichê) e incomodando quem não tem nada a ver com o seu menosprezo. Coloquei as imagens na sequência para tentar passar essa minha percepção.

Que fique bem claro uma coisa: Não tenho nada contra os fumantes, tenho tudo contra o cigarro que mata meus amigos fumantes.





>Clique na imagem para ampliar.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Nada se cria | 48

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Hoje o Nada se Cria é dica de um sujeito que tem cadeira cativa nesse sanatório, meu amigo Tiago Mota - que assim como eu, alimenta um blog na grande rede. Aproveito para comentar a respeito e claro, convidá-los a fazer uma visitinha (como se diria na minha terra).

Para quem ainda não conhece, o Parada Crítica (http://paradacritica.blogspot.com) é um bom lugar para você buscar opinião sobre cinema muito bem formatada por um publicitário amante da sétima arte.

Agora falando dos clones que compõem mais uma seção do Nada se Cria, vejam este anúncio criado por uma agência de Ribeirão Preto lançado no Dia Mundial do Meio Ambiente:


Agora vejam este aqui lançado pelo Greenpeace em 2007:

segunda-feira, 9 de junho de 2008

TAM com filmes vistos a 36 mil pés

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A TAM tem uma espécie de espaço VIB (Very Important Brand) por aqui. Volta e meia eu cito alguma campanha ou peça que me chamou a atenção (reveja algumas aqui e aqui). E para dar continuidade a essa mania, vejam esses dois anúncios criados pela Y&R para informar aos clientes que a companhia passa a oferecer os melhores filmes a mais de 36 mil pés de altitude.


King Kong

Titanic

Uma curiosidade. Em maio de 2007 eu publiquei neste mesmo blog um "Nada se cria" com TV´s de plasma onde as peças da Panasonic citavam três filmes, entre eles "King Kong" e "Titanic". Veja aqui.

domingo, 8 de junho de 2008

Rivalidades nunca morrem

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Antes de mais nada, assista ao vídeo:


Tradução:
"Rivalidades nascem,
mas elas nunca morrem.

Rivalidades continuam.

Os nomes ou a história podem mudar,
mas o sentido permanece.

O que importava tanto lá,
continua importando agora.

Rivalidades nunca morrem."


Escrevo este post enquanto assisto ao segundo jogo da fantástica final da NBA - de um lado, o poderoso Los Angeles Lakers, do outro, nada mais nada menos que os Celtics de Boston. Mas não vou me arriscar a dar minha análise sobre o jogo, já que sou um perfeito leigo nesse esporte. Só assisto quando chegam as finais porque gosto das propagandas e a forma como os norte-americanos sabem fazer do basquete, uma fórmula inteligente para vender seus produtos e estilo de vida aos 42 países em que o campeonato é transmitido.

Pois bem, enquanto assisto série final, vi esse comercial formidável que trata a rivalidade entre Lakers e Celtics. Usando dois ícones dessa emulação enraizada na cultura daquele país, o vídeo mostra o rosto do mitológico Magic Johnson dividindo a tela com outro monstro do esporte: Larry Bird.

Talvez inspirado no primeiro teaser de "A favorita", a idéia é evidenciar aos expectadores que a rivalidade entre os times jamais morre. E pelo que estou acompanhando, Kobe Bryant e Paul Pierce estão se encarregando perfeitamente de sustentar a lenda.

Para quem não sabe, o logo da NBA (National Basketball Association) é feito de acordo com a efígie de Jerry West, grande armador dos Los Angeles Lakers nos anos 60.

Um ponto curioso desse filme é a repercussão que ele gerou, sendo "reproduzido" usando as faces de Barack Obama e Hillary Clinton na capa da revista Time, "simplesmente" uma das mais importantes do mundo.

domingo, 1 de junho de 2008

Sinal d& Arte

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É com muito orgulho que, mais uma vez comento o trabalho de uma cara que merece toda minha admiração, meu amigo (o melhor, diga-se de passagem) Leandro Magalhães. E apesar de ainda lamentar sua recente mudança para a Bahia, fico indescritivelmente feliz com seu mais recente projeto no qual tive o privilégio de ver nascer, crescer e brilhar. E pode ter certeza, foi um verdadeiro privilégio.

Na sexta-feira passada tive a honra em participar do coquetel de lançamento de sua exposição fotográfica Sinal d& Arte, que aconteceu no SESC Arsenal, em Cuiabá. Inspirado nos detalhes do cotidiano de homens e mulheres que vivem sob semáforos fazendo malabarismos, a exposição traz fotografias feitas por Leandro sob uma ótica artística raramente percebida por quem depara-se diariamente com esse cenário. É uma forma crítica de se ver arte coetânea como ela realmente deveria ser vista. Genial.

O objetivo da exposição é provocar a leitura que a população faz sobre essa "classe". Porém, eu vou além e digo que um trabalho como esse, é a mais perfeita tradução do potencial de quem acredita no seu talento. O próprio Leandro é um exemplo clássico do que sempre propago por onde passo: Não é difícil ser criativo. E de fato não é. Pare e pense em quantas idéias você mata todos os dias antes mesmo que ela tenha uma mínima chance de crescer.

Sempre conversei com meus amigos sobre atitudes como essa, e já concluí com plena convicção de que você pode muito mais do que imagina, o problema só está no inerente pessimismo que nos é imposto. Temos a tendência de escassear antes de investir, pensar que não vai dar certo antes de imaginar o triunfo, é normal, mas não deveria ser. Por isso admiro muito atitudes como essa que o Leandro fez - ele tem essa mentalidade, de acreditar, por fé e confiar no seu talento. Lembro de um texto que escrevi aqui há algum tempo, e que tem muito a ver com essa forma de pensar.

Agora resta aos leitores deste blog que moram em Cuiabá, visitar essa interessantíssima exposição e refletir sobre esses verdadeiros artistas de rua que conseguem fazer arte durante o sinal vermelho do semáforo.

>>A exposição Sinal d& Arte fica em exibição de 30 de maio a 29 de junho no SESC Arsenal.