Tente fazer o seguinte: olhe para uma pessoa (prefiro chamar de "perfil") e tente descobrir qual é a profissão dela. Acredite, não é difícil. Repare as roupas, o estilo, os gestos e vai imaginando o que aquela criatura faz da vida em pleno século XXI e internet banda larga beirando os 30MB. Já até escolhi o melhor lugar pra fazer isso: o avião, mais especificamente enquanto espero o embarque de todos, e de preferência, sentado na primeira poltrona.
Aqui onde estou, na Faculdade Gama Filho, já devo ter catalogo pelo menos 80% da sala. Tem um maluco que posso quase jurar que guia uma daquelas motos estilo chopper - já até pensei em perguntar o que faz ele numa aula de Gerenciamento de Projetos - tenho a singela impressão que ele não tem a mínima noção de onde está.
Uma outra senhorita por exemplo, confiaria meu dedo mindinho que trata-se de uma farmacêutica. Ela não tem muitos motivos para tal afirmação, mas eu já consegui compor um cenário imaginário com ela na dura rotina do ofício. E claro, tem os inevitáveis bad boys, que por sinal não é nada difícil imaginar o que fazem o dia inteiro.
Cada dia que passa, cada campanha que vejo, tenho mais certeza que os formatos de agência de propaganda irão inevitavelmente morrer. Esse negócio de departamento de atendimento, departamento de criação, departamento de mídia, departamento de planejamento, departamento de gestão de departamentos, etc, etc, etc... Tenho certeza que esse padrão não suportará mais elaborar comunicações eficientes a tribos cada vez mais fragmentadas e o principal: exigente.
Tudo bem que pode transparecer muito óbvio falar isso, mas direcionar a comunicação com soluções práticas e inteligentes (de verdade) é o único horizonte que começa a escancarar-se a nossa frente. Agências, ou consultorias, como queira chamar (até porque já deve ter um novo termo pra isso que não precisa ser falado aqui) devem ficar menores, ainda mais confiáveis e claramente especializadas em poucos e distintos segmentos - obviamente, também ficarão mais lucrativas.
É uma profecia, que pode ou não confirmar-se dependendo de algumas centenas de bilhões de variáveis. Mas não deixa de ser uma boa forma de pensar estrategicamente pautando em fontes extremamente confiáveis.
Quanto a aula que citei no começo do texto, peguei uma ou outra novidade enquanto escrevia, mas continuo com o terrível vício de não dar muito crédito aos professores que começam suas aulas com um canoro gerundismo.
















