Este blog não tem - e nunca terá - foco em marketing político. Não que eu odeie o assunto ou seja um desses pessimistas convictos. Pelo contrário, eu até me interesso por política num nível bem acima da média da população - o que também não é muito difícil, diga-se de passagem. Não importa, o que acontece é que eu apenas optei por não falar do assunto no meu blog. Porém, não falar a respeito de política não significa que eu não acompanhe o que está acontecendo no meio.
Meus amigos, antes de apertar aquelas peculiares teclas na solidão da cabina de votação, eu respirei política para não correr o risco de fazer alguma cagada - tipo, votar no
Riva. E nessa minha trabalhosa análise para descobrir o que tínhamos de melhor, acompanhei de perto o trabalho da agência que mais gosto aqui em Cuiabá: a
FCS. Queria entender o motivo deles terem assumido uma campanha política - algo inédito na história da agência. Eu sabia que algo importante iria acontecer.
Hoje eu entendo o que aconteceu, por isso tomei a liberdade de reproduzir na íntegra o texto do amigo
Gustavo Vandoni, publicado no
blog da FCS um dias após esse histórico 4 de outubro de 2010. Melhor do que
Predro Taques nos representar no Senado Federal é saber que ainda existem pessoas que fazem política respeitando a inteligência das pessoas.
“Numa eleição, feio é perder”
:: Por Gustavo Vandoni
e-mail: gustavo@fcsbempensado.com.br
Twitter: @gvandoni
Foi com essa frase, dita num curso que eu fiz em São Paulo anos atrás, que prematuramente morreu meu interesse pelo marketing político e eleitoral. Eu, um jovem publicitário, sócio de uma pequena agência de propaganda dando seus primeiros passos em Cuiabá.
A frase ficou ecoando na minha cabeça durante tanto tempo que eu nem mais conseguia prestar atenção nas aulas. “Feio é perder”, a meu ver, seria outra forma de dizer que os fins justificam os meios. Que vale tudo.
Foi então que decidi ficar de fora desse “nicho”, e apontar o foco exclusivamente à iniciativa privada.
Mas como fazer isso num mercado aonde grande parte do investimento vem do setor político/público? Para sobreviver e crescer, a empresa teria que ter uma gestão extremamente profissional. A saída seria conhecimento aliado à inovação. Um dia o mercado privado iria compensar.
E assim, olhando longe, seguimos nosso caminho e, apesar das dificuldades, considero que tomamos a decisão certa.
Hoje somos uma das maiores agências do Estado de Mato Grosso, contando com mais de 50 profissionais, quatro escritórios fora do Estado e diversos clientes espalhados pelo Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. Fomos pioneiros no conceito de Comunicação Estratégica e já praticávamos planejamento de comunicação quando o senso comum ainda eram “campanhas de publicidade”. Fomos a primeira agência a ter departamento de Planejamento e Novas Mídias e lançamos a primeira campanha de Marketing Viral do Estado. Fomos os primeiros a ter um Blog ao invés de um site institucional e fomos premiados internacionalmente por uma campanha de Guerrilha. Já fazíamos Branding bem antes de começar o burburinho, e fomos a primeira agência do Estado a concluir um processo de sucessão de diretoria de forma altamente profissional. Eu saí da direção da empresa para buscar novos conhecimentos no exterior e ela foi assumida pelos meus sócios de maneira extremamente equilibrada e consciente, e que vêm fazendo um trabalho melhor do que o meu, diga-se de passagem. Tudo isso sem conta pública e sem política.
Mas porque que eu estou falando disso?
Porque este ano a gente resolveu abrir uma exceção. A gente atendeu um candidato.
Só que antes de atender esse candidato, a gente decidiu que votaria nele. E isso independente dele ser ou não nosso cliente. Sua decisão de se tornar candidato e a nossa decisão de atendê-lo foram totalmente convergentes. Ambos estreantes na política e ambos com uma profunda crença na mudança proporcionada pela Ética. Ética na política, na sociedade, na propaganda, na mídia, nas empresas. Não tínhamos o direito de declinar. Aceitamos, peitamos o desafio e não nos arrependemos.
Campanha difícil. Excelente candidato, mas com alguns fatores que dificultam muito uma eleição nos dias de hoje: pouca visibilidade, pouca grana e muito escrúpulo.
Mensagem clara, focada. Estratégia pura, sem dar ouvidos a conversas e opiniões paralelas, esse candidato começou a campanha com modestos três pontos percentuais e foi consistentemente subindo nas pesquisas, até colar no segundo colocado.
Hoje, pra nossa grata satisfação, é o segundo Senador mais votado do Estado de Mato Grosso, com larga vantagem sobre o terceiro colocado nestas eleições de 2010.
E mesmo que não tivesse vencido, já o consideraria – e nos consideraria – vitoriosos. Foi uma campanha onde os fins não justificaram os meios. Onde mais feio do que perder, seria ganhar trapaceando, enganando.
Pedro Taques foi sim o grande fenômeno eleitoral deste ano. E não estou aqui requerendo créditos dessa vitória. O que a gente fez foi mostrar de forma clara e objetiva, a todas as esferas sociais, quem ele foi e quem ele será no Senado.
E pra nossa imensa alegria nós ganhamos. Mas ganhamos bonito.