segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Diário de viagem | As aventuras de um publicitário disfarçado de turista

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(Continuação do post anterior)
(Roma) 09/08
5h20 - Um coisa que eu ainda não falei aqui. Ainda que a Europa seja considerada um continente de primeiro mundo, dona de incríveis maravilhas naturais e tecnológicas, um exemplo para inúmeras civilizações não muito civilizadas, está longe de ser um mundo perfeito. Muito longe. Os metrôs são sujos, as pessoas - em sua maioria - não tratam bem as outras pessoas e acredite: existe gente de olho na sua carteira por toda a parte. Roma, sendo mais preciso, é uma desgraça.

6h15 - O trem que nos levou à Cidade Eterna tinha dois simpáticos jovens encarregados do serviço de bordo (não sei o termo apropriado para quem desempenha tal função. Um train boy, talvez.) Verdadeiros show-mans, os trains boys. Vieram vendendo todo tipo de porcaria aos viajantes - isso mesmo, vendendo - nos trens daquele país tudo é pago, até o cafezinho. Imagino que se você respirar mais que o necessário tenha que pagar alguma taxa no fim da viagem. A propósito, sempre quis conhecer aqueles vagões-restaurantes, saber como funcionava a coisa toda. Mas depois que paguei 4,8 euros num cappuccino pequeno perdi todo o encanto. Um roubo! Com 4,5 euros, devidamente convertidos, compro quase 10 quilos de arroz Tipo A.

9h45 - Um dia quente em Roma nos aguardava, devia estar fazendo uns 35º aproximadamente - que para um cuiabano, não passa de uma leve brisa de outono. A Estação Roma Termini é um troço horroroso, feio, sujo, barulhento, criança chorando, empurra-empurra. Um inferno! Enquanto tomávamos café numa cafeteira com jeitão de lanchonete, aproveitei a conveniência de uma banca de revistas para comprar um mapa. Siga meu conselho, ter um bom mapa é a melhor coisa que você pode fazer em solo estrangeiro. E de preferência, compre um que já venha com os mapas de metrô, ônibus e trem incluídos.

10h10 - A primeira parada seria o tão esperado Coliseu, que estava a exatos 1.500 metros dali. Sugeri ao grupo irmos a pé e ouvi um canoro "NÃO!" de todos. Fomos de metrô, e ali eu notei a diferença gritante entre Roma e Milão. No metrô de Roma você tem a exata noção de como é ser um boi no meio de uma boiada que é tocada para dentro de uma mangueira. Você não caminha, apenas se deixa ser levado pela correnteza de gente. Vi uma senhora de uns 60 e poucos anos quase ser esmagada contra a entrada do vagão. Observei a triste cena com a minha orelha colada na axila suada de um gordinho. Me responda: existe algo mais nojento do que ter um dos lóbulos em contato com a axila suada de um gordinho? Definitivamente, eu estava em Roma.

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Se você reparar bem, vai ver que tem uma zebra na foto.

10h29 - Chegamos ao Coliseu, nós e metade da Europa, calculo. Santo Deus, como tinha gente naquele lugar. E o mais curioso é que lá ouvia-se de tudo, menos um diálogo em italiano. A imensa fila que circundava a velha arena de combates era uma verdadeira Torre de Babel. Na minha frente tinha uma família sueca, atrás, argentinos, atrás dos argentinos, russos, atrás dos russos, angolanos. Pode?! Angolanos! E tudo o que eu sei da Angola é que lá deve haver muita galinha.

10h50 - O mais curioso dessas imensas filas nos principais pontos turísticos da Europa é que elas andam extremamente rápido, você quase corre para acompanhá-las. Chegando à bilheteria dentro do Coliseu, descobri que não precisaria pegar aquela enorme fila se comprasse um tal de Roma Pass - bilhete 5 Euros mais caro que me daria direito a conhecer todos os pontos turísticos da cidade. Dane-se o Roma Pass!

11h10 - O Coliseu, ou, Anfiteatro Flaviano, não tem essa fama toda à toa. É uma estrutura impressionante, mais pela história do que pela beleza. Ainda que seus 48 metros de altura o obrigue a contemplá-lo por vários minutos ininterruptos. Sempre me interessei muito por aquele lugar, e é inenarrável a sensação de visitá-lo depois de tantos anos imaginando como seriam seus detalhes. Fascinante pensar que aquele amontoado de pedra, construído no ano 68 d.C foi o grande símbolo do Império Romano - simplesmente o maior império que já existiu. Por mim, ficaria ali o dia inteiro, mas tínhamos muito mais lugares para conhecer, lugares igualmente fascinantes.

13h - Pertinho dali estava o Fórum Romano e Palatino, locais que hoje são grandes museus ao ar livre. Todo o trajeto é feito a pé, e por onde quer que você caminhe, encontrará gente do mundo inteiro, até angolanos. Visitamos a Coluna de Trajano e, acidentalmente, o Monumento Nacional a Vítor Emanuel II - obviamente, é um monumento em honra a Vítor Emanuel II da Itália, unificador e primeiro rei da Itália unificada, em Roma. Impressionante o que se faziam antigamente com um punhado de pedras e areia.

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Vocês sabiam que os esquimós lavam o rosto com a própria urina?

14h - O próximo destino era a Cidade do Vaticano, mais precisamente a Basílica de São Pedro. Mas antes de visitar a maior igreja do Cristianismo e um dos locais cristãos mais visitados em todo o mundo, precisávamos comer. Fiquei surpreso quando me aproximei de uma barraquinha de cachorro-quente e um sul-africano disse com imenso sorriso na cara: - Fala, brasileiro! Procurei um espelho pra ver se tinha alguma bandeira do Brasil na minha testa. Fiquei encabulado, como ele sabia? Logo eu, com esse jeitão de nerd canadense. Então eu perguntei: - Como você sabia que eu sou brasileiro? E ele não parou mais de rir, gargalhava repetindo a minha pergunta a todos a sua volta. Fiquei constrangido e dei o fora dali.

17h - Não sou um exímio seguidor das revelações pregadas pela Igreja Católica, e sendo bem radical, acho que ela está falindo com esse novo Iluminismo liderado pelo Google. O que é bem natural, se você pensar que esse papo de Criacionismo é uma falácia sem precedentes na história da humanidade. Mas uma coisa devo admitir, ela sabe impressionar. Para que suas ideias absurdas fossem ouvidas, construíram monumentos que assustam pela grandiosidade. A Basílica de São Pedro é algo que transcende tudo o que existe no mundo normal. Bons marqueteiros, esses fundadores da religião.

19h10 - Quase perco o trem por causa de dois minutos - só dois míseros minutos. Durante todo o dia o meu relógio estava atrasando uns 3 segundos a cada minuto, causando um efeito devastador para quem deveria estar na estação as 19h10 em ponto. Por sorte conferi a hora no enorme relógio da estação e vi que estava assustadoramente em cima da hora. Entrei em desespero e sai correndo em direção ao trem que se preparava para partir. Daria uma boa cena para o cinema, caso algum cineasta sem inspiração estivesse por perto. Entrei no primeiro vagão que vi e assim que me sentei, joguei meu relógio pela janela. Relógio que atrasa não adianta.

(Continua no próximo episódio).

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