quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vou ali e já volto


(Arrumando as malas, se é que elas estão quebradas) - Senhores e senhoritas, embarco para o Chile em algumas horas e a consciência de blogueiro me avisa que eu devo registrar algumas palavras por aqui. Se é assim, vamos a elas.

Começo dizendo que inventei que quero esquiar, ou chegar o mais perto disso possível. Convenhamos, não deve ser muito diferente de andar de skate - e suponho que andar de skate não seja difícil. Minha patroa, que sempre me acompanha nessas minhas insanidades sazonais, disse com toda a sua compaixão:  

- Ok, Luciano. Se você quer mesmo, vamos fazer isso.

O próximo passo era conseguir neve. Bem, como estamos bem perto do inverno aqui nessas bandas sulistas do planeta, entendo que o Chile é a melhor opção. Custo, benefício, curiosidade, senso comum, enfim, não me pergunte a razão, escolhi o Chile e não se fala mais nisso.

O passo seguinte era dar uma olhada no meu saldo do Programa de Fidelidade da TAM. Sem milhas, nada de viagem. Mas, beleza! Tudo conspirando a favor, era só esperar pelo dia 21 de junho de 2012. E ele chegou.

Mas, esta será uma viagem diferente daquela que fiz no ano passado nesse mesmo período. Lembram? Enchi vocês com aqueles malditos diários de viagens (releiam aqui, se acharem que devem). Santo Deus! Nem minha mãe leu aquilo direito.

Certo, dessa vez não planejei quase nada, apenas dei umas bisbilhotadas no Google Maps e nada mais. Juro! Todos dizem que é bacana viajar sem um roteiro, sem saber o que encontrar pela frente. Essas coisas. Quero pagar para ver. No caso, pagarei em pesos chilenos (lê-se pessos tchilenos, dando uma respirada entre as duas palavras, aprendi isso com a simpática senhora que me atendeu na casa de câmbio).

Falando nisso, mal pus os dedos nas cédulas tchilenas e já previ que uma moeda que vale 250 vezes menos do que o Real vai me causar muitas desgraças. Um café, por favor. - Aqui está, são 1.500 pesos, senhor!

Sem problemas, esse é o espírito da coisa. Viajar sem roteiro.  

Alea jacta est.

P.s.: E se eu não fui direto o suficiente, não esperem por posts pelos próximos 13 dias, estarei com a bunda na neve.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Obrigado, cigarro

Bela campanha impressa criada pela Y&R Brasil para a Santa Casa de São Paulo. Essa é para quem acredita que sem existe o lado positivo, por maior que seja a desgraça. Não tem muito mais o que dizer, está tudo aí. Não fumem !



segunda-feira, 11 de junho de 2012

A ignorância NÃO é uma bênção

Luís da Câmara Cascudo disse certa vez que o melhor do Brasil é o brasileiro. Uma frase de efeito, claro. Virou até slogan publicitário, se não me falhe a memória. Mas quer saber? O melhor do Brasil está muito longe de ser o brasileiro, todos deveriam entender isso de uma vez por todas. Na realidade, o brasileiro é o pior do Brasil, uma cruz a ser carregada por toda a história. Acho que já disse isso aqui algumas vezes, mas nunca é demais relembrar esse ponto de vista. Como diria um tio  meio esquizofrênico por quem sempre tive muita afinidade: vamos concatenar as ideias. E se prepare, será um daqueles posts longos e chatos. Se quiser abandonar a leitura, o momento é esse.

Existe um filme, uma comédia aparentemente ingênua, que transmite uma mensagem absurdamente coerente por trás. Me refiro a Idiocracy, de 2006, dirigido por Mike Judge e estrelado por Luke Wilson e Maya Rudolph (trailer aqui). Bem resumidamente, o filme projeta uma civilização burra num futuro distante. Ok, preciso explicar isso melhor. Para quem não assistiu, já que o filme teve um orçamento curto e problemas de distribuição, os dois personagens principais se inscreveram para um experimento militar de hibernação. Após uma crise financeira o projeto foi esquecido e eles acabaram despertando 500 anos no futuro.



Os dois, imaginando que hibernaram por apenas um ano, ficam desorientados ao se depararem com um mundo completamente diferente, numa distopia gerada pelo marketing, consumismo e anti-intelectualismo cultural. Em outras palavras, eles perceberam rapidamente que aquele estilo de vida de cinco séculos atrás resultou - a posteriori - numa sociedade humana uniformemente estúpida. Daí o título Idiocracy, um ótimo neologismo, diga-se de passagem. Seria só mais um filme trash sem muito valor se não provocasse uma enorme reflexão nos mais atentos (me considero um atento quando estão questionando o futuro da minha espécie).

Os 500 anos não são por acaso, está lá para que a mudança não seja brusca o suficiente a ponto de alguém perceber o rumo que as coisas estão tomando. Além disso, o cenário que o filme retrata é marcado, obviamente, pela vulgaridade - tão inerente ao ser humano. É uma sociedade que não sabe o que fazer com o lixo das grandes cidades, muito menos como conseguir irrigar uma plantação. O que também não é por acaso, nada é por acaso. E no meio de toda essa ignorância dominante o presidente dos Estados Unidos é um ator pornô e campeão de luta livre - talvez o personagem mais importante do filme.



O programa de televisão favorito do público se chama “Oh! My Balls!” onde o protagonista é acertado no saco repetidas vezes. O filme campeão de bilheteria se chama “Ass”, que é simplesmente 90 minutos de uma bunda flatulenta. Muito mais do que uma simples crítica ao detestável e popular humor-de-banheiro. E como se não bastasse, até os jornais se fundem com revistas pornográficas. Como podem ver, o entretenimento do futuro é assustador - e não estou me limitando apenas à ficção em pauta.

Então eu pergunto: será que é exagero comparar o futuro de tudo o que existe com um humor negro de quinta? Seria, se a projeção não fosse a longo prazo. Mas, pelo amor de Darwin, vejam a intolerável futilidade que se tornou a pessoa comum, essa que escreve "vosse" ao invés de "você" e "mais" no lugar de "mas". A comunidade de gente descartável é imensa e não para de crescer. A pessoa comum não está muito longe dos personagens fictícios de Idiocracy, e talvez nem seja preciso esperar por 500 anos.

Mas, voltando à citação do historiador lá no começo do texto, vamos ao cerne da coisa toda.

Eu selecionei dois vídeos no Youtube para exemplificar o que estou tentando dizer nesse punhado de parágrafos. Basta clicar sobre as imagens para assistir. É importante que reparem no número de visualizações de cada um. O primeiro vídeo é o discurso em plenário de um senador da República. Ele fala de passado e presente em perfeita sincronia, convida as pessoas a conhecerem mais a fundo a história de um herói nacional e se inteirar do atual cenário político - ótimo para quem não pretende morrer no ostracismo cultural. O vídeo teve 135 visualizações.


O outro vídeo é uma pegadinha, uma câmera escondida de um programa de auditório qualquer. Assim como o filme em cartaz em Idiocracy, apenas uma bunda é mostrada, e nada mais. O vídeo teve 44 milhões de visualizações.


Estamos falando de vídeos na Internet, algo muio mais raso que livros. É óbvio que não tem como entender a importância de Cândido Rondon apenas assistindo o primeiro vídeo. Um artigo da Wikipédia é apenas um resumo, apesar de parecer muito em um ambiente em que Saramago definiu como a antecâmara do grunhido. É a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. O resultado a longo prazo assusta, porque de degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido. A ignorância NÃO é uma bênção.

E caso alguém ainda esteja lendo, aí vai um último argumento. Repare em suas mãos, vê algo de anormal? Sabe dizer por que dedo mindinho é menor que os demais? Simples: porque é o dedo que menos usamos, desde os nossos ancestrais. Ele está vagarosamente atrofiando, geração após geração, e chegará um dia em que ele desaparecerá. Isso mesmo, teremos apenas quatro dedos em cada uma das mãos e isso continuará sendo normal.

Como disse, a mudança é assustadoramente lenta.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mais um anúncio brilhante do Greenpeace

De tão boas que são, as propagandas do Greenpeace deveriam ter uma categoria exclusiva aqui no blog, um espaço VIP, ou algo do gênero. Qualquer hora pingo aqui uma compilação com as 100 50 10 melhores peças de todos os tempos. Quando me sobrar um tempo, é claro. Inclusive, sugestões são bem vindas, mandem para a minha caixa postal.

Mas enquanto isso não acontece, vejam que belezinha de anúncio temos aqui - a criação é da Almapp, eu acho. Mais um para as comemorações do Dia do Meio Ambiente (5 de Junho).


Em tempo: apesar de criativa, achei a peça bem parecida com essa aqui, quase um Nada se cria.  
Data venia, é claro.

Muitas felicidades, muitos anos de vida

Enquanto isso, em um semáforo qualquer de uma cidade qualquer desse Brasilzão véio de guerra, o bom e velho panfleto, sempre ele. Reparem que texto bem construído, que persuasão magnífica, que... coesão assombrosa. Afinal de contas, alguém ficou com alguma dúvida que trata-se de uma data querida para o anunciante?

E pensar que tem quem abomine essa mídia, alegando que não é coisa de gente séria, apenas panfletagem vagabunda. Francamente!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

É o posicionamento, não reclamem

O que vocês me dizem desse comercial do Renault Twingo? E não estou me referindo à cor do carro.



- Congratulations, dad.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A releitura do clássico comercial da Folha de S. Paulo

Não tenho dúvidas que 100% dos leitores dessa casa conhecem o épico comercial de 1989 da Folha de S. Paulo, aquele do Hitler criado pela extinta W/Brasil. Agora vejam a releitura que fizeram para o Movimento Bandeiras Brancas.

O objetivo do filme, criado de forma voluntária e independente pelo diretor de arte Brunno Barbosa, da Sunset, é mostrar que é possível, com pequenas ações, espalhar a paz.

O comercial pede para os internautas irem até o site www.bandeirasbrancas.com.br, onde são colhidas assinaturas para que o feriado de 21 de abril, de Tiradentes, herói que foi brutalmente assassinado, seja trocado pelo dia 21 de setembro, Dia Internacional da Paz.

O filme tem locução de Ferreira Martins que, 23 anos após emprestar sua voz ao comercial original, colaborou com o remake.

Clientes famintos e gemidos infantis no banheiro. O que vem depois disso?

Há algum tempo venho tentando entender por que algumas ações de guerrilha ganham mais notoriedade que outras, mesmo quando os recursos financeiros deveriam apontar o contrário. Me refiro aquelas ações que vão além de evidenciar um mero recado, mas sim colocar as pessoas dentro de experiências reais, ou, o mais próximo possível disso. Eu explico.

Os dois vídeos abaixo transmitem exatamente o que eu quero dizer. Em ambos, a imersão das pessoas no teor da mensagem é quase total, mas isso não chega a ser necessariamente bom. Já disse aqui algumas vezes que é natural que os consumidores fiquem menos sensíveis às mensagens tradicionais. Também pudera, tudo está on-line e o saldo disso é que ninguém mais se sensibiliza com o cartaz do recém-nascido desnutrido da Somália que implora por socorro. É preciso sentir na pele o que estamos querendo dizer.

Nem preciso tocar no velho ponto sobre o desenfreado bombardeio de informação, de qualquer informação, só para ser notado. Tá na cara que tem muita gente falando muita coisa o tempo inteiro, e a tal democratização da informação fez com que as pessoas naturalmente começassem a filtrar o que queriam ver, sentir e tocar. O resultado disso é que se o teor da mensagem não for polêmico, se não gerar ira, revolta, clímax, desejo compulsivo, surpresa, vai passar despercebido. É um fato. Nesse ambiente atual, a concorrência por atenção ganhou proporções catastróficas. Não é exagero, não gosto de exageros.

Isso devidamente dito, reparem no primeiro vídeo. Para lembrar os pais de seu papel na educação dos filhos em um mundo contaminado com tanta porcaria, a organização belga Opvoedingslijn criou uma campanha onde simula crianças fazendo sexo em um banheiro de um hotel de luxo. As pessoas escutam os gemidos e ficam perplexas com aquela situação constrangedora. Depois de um tempo as crianças deixam o local e na porta revela-se a mensagem: “Educar uma criança nem sempre é fácil, por isso existe a Opvoedingslijn”. A criação é da agência Duval Guillaume.



Voltando ao raciocínio, a pergunta que fica é: será que foi preciso chegar a esse ponto e envolver as próprias crianças para chamar a atenção? Sem dúvida, vale alguma reflexão sobre o que mais vem por aí.

O outro vídeo é de uma ação que aconteceu em Assunção, Paraguai. Para pedir que as pessoas ajudem a Fundação Banco de Alimentos, que cuida de crianças e idosos carentes que vivem em abrigos daquele país, foi criada uma ação em parceria com uma rede de pizzaria delivery da cidade. Depois que o cliente fazia o pedido da sua pizza, o entregador atrasava propositalmente e só aparecia com a pizza horas depois. Quando o motoboy finalmente chegava com a pizza, encontrava os clientes furiosos, e então entregava junto com a pizza um panfleto com a seguinte frase: “Quando você está com fome, entende a fome. Sua comida atrasou, mas para muitos ela nunca chega”.